FIGUEIRA DA FOZ (postal antigo)


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O COLECCIONADOR
(Por: M. Barroso dos Santos)

Numa altura em que parece encarar-se com menos dignidade, subestimando-se nalguns círculos, o coleccionismo como manifestação cultural, é nosso mister rememorar um pequeno artigo que alinhavámos há cerca de 20 anos, mas que consideramos actual, pela filosofia que o mesmo encerra.

Que se continue a olhar com mais respeito as manifestações culturais conotadas com o coleccionismo em geral e com as do NUFICOL, como colectiridade posicionada com postura digna e séria, na sua nobre função...

"Não se destina esta pequena conversa a ensinar algo de novo sobre filatelia ou numismática, visando tão somente, falar de coleccionação, duma forma genérica.

Coleccionar selos ou moedas ou quaisquer outros grandes ou pequenos valores, é falar de nós próprios, é ao fim e ao cabo, retratarmo-nos, em parte identificarmo-nos no campo do espírito, uma vez que, em função da espécie coleccionada, poderemos definir os nossos gostos, aspirações, complexos ou quaisquer outros atributos desta misteriosa máquina humana.

Duma maneira geral, o homem colecciona, porque disso sente necessidade; não vamos interpretar a ideia de coleccionação, como um conceito tantas vezes erróneo entre indivíduos estranhos à modalidade, de que «coleccionador é sinónimo de maníaco !...»

Na realidade, essa necessidade surge muito naturalmente aos espíritos mais sensíveis, aos mais predispostos às manifestações do espírito, aos que equacionam com mais firmeza e mais profundamente aquilatam a estética, quer no aspecto dimensional, quer na sua forma mais intríseca.

Certamente surgirá como lógico o argumento de que, no caso em foco, os grandes paladinos e cultores das artes, os mestres da estética, seriam os primeiros a enfileirar no número dos grandes coleccionadores, por se caracterizarem, mais que quaisquer outros, como possuidores dos requintes e qualidades sobejamente necessárias para o efeito e então, na vanguarda, surgir-nos-iam, como grandes coleccionadores, homens da maior nomeada dos diversos campos das manifestações artísticas, o que, se bem que em casos esporádicos possa acontecer, por via de regra, tal não sucede.

Na realidade, a predisposição inata para os diversos campos dessa manifestação artística, canaliza-os a expressarem-se artisticamente em moldes bastante distintos dos da forma de coleccionaçâo, o que não obsta nem invalida, o conceito de que, na realidade, o coleccionador é, não como o vulgo o interpreta, um maníaco ou um ser Inferior, mas na verdade um homem superior, por sentir a beleza, a estética da peça em causa, duma forma diferente da do homem vulgar.

Aquilo que para este, é tão somente um pedaço de papel, no caso dos selos, contendo desenhos mais ou menos bizarros ou uma clássica moeda com a efígie duma ilustre figura, por vezes quase irreconhecível ou até mesmo um desmantelado e arcaico candeeiro ou cadeira antiga - tantas vezespeças repudiantes, eivadas de multimazelas com que o implacável tempo as fustigou - para aquele, tudo se processa em moldes diferentes, já que encerra todo um cortejo de elementos a desvendar, em tantos casos, quiçá, misteriosos !...

Há colorido, movimento no Espaço e no Tempo, calor, luz, em suma, há vida nessas maravilhosas peças, estudo, interpretação, humanização, por encerrarem tantas e quantas vezes histórias reais ou lendárias, enternecedoras, complexas histórias humanas que, emdiversos casos, o mundo nunca compreeendeu, nuncaquisou nunca soube ou pôde compreender.

E o Homem, o coleccionador, mercê de esmerado estudo, com denodada paciência fradesca, desvenda os mistérios, lança luz sobre a peça em estudo, educa-se, sorvendo sofregamente ensinamentos que, tantas vezes os livros omitem ou muito sucintamente emitem, humanizando-se e caminhando a passos largos para a especialização, cláusula fundamental no Presente, em todas as esferas de acção, para que esse eterno insatisfeito, a quem alguém se lembrou congnominarde "Homo Sapiens", tome um mais íntimo e sensível contacto com os mistérios deste estranho e incógnito Universo.

Através das trocas efectuadas, quantas amizades surgem ?

Ou não fosse a Amizade, esse enternecedor e expressivo sentimento que une os Homens, em todas as latitudes, quer da mesma família, quer de famílias diferentes !...

Assim surgem os coleccionadores, rebuscando, seleccionando, estudando, em busca de conhecimentos das gentes e das coisas, cultivando-se através das peças em estudo, uma vez que eles conhecerão certamente a vida dos povos, com todo o seu cortejo de grandezas e misérias, seus usos e costumes, tendências, geografia, figuras ilustres, em suma, todo um manancial de conhecimentos, que só dignificarão e ilustrarão quem colecciona; de forma alguma, poderão ser apodados de maníacos, a menos que maníaco se considere, o indivíduo cujo fundamental intuito é a cultura através de veículos de informação e formação, como o são as referidas peças, pois conhecendo o Homem, conscienciosamente, os demais povos, mais facilmente compreenderá o seu e, naturalmente, mais se aproximará de si próprio.

Outros, por uma questão de gosto ou tendência e ainda no caso dos selos, ao coleccionar as suas peças, fazem-no através das temáticas e dos motivos, por exemplo a Desportiva, rebuscando assim todos os selos alusivos ao Desporto e estudando as diversas modalidades, algumas até então, completamente suas desconhecidas.

Para terminar, advirto que, coleccionar postais, moedas ou quaisquer outras modalidades não é, nunca foi, nem nunca será, limitar-se a colocar comodamente, pedacinhos de papel ou moedas, nos quadrados dos álbuns a eles ou elas destinados.

Isso, a meu ver, será tão somente, juntar, melhor dito, isso, pouco é !..."

 
           

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